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segunda-feira, 29 de julho de 2013

Os infinitos

Texto baseado no livro "A culpa é das estrelas" de John Green.

   Hoje o tempo voa. Bate asas tão aleatoriamente que muitas vezes nem avistamos o horizonte em seu perfeito declínio. Embora o conhecimento humano já tenha capacidade suficiente para declarar que nenhum ser vivi infinitamente, a sociedade atual está transbordando minutos. Cada sorriso possui seus milésimos e segundos acumulados no interior para serem desperdiçados. É como se cada momento perdido fosse uma pressão impiedosa de nossos relógios sobre as vidas que tão sutis celebramos. 
  Um minuto a menos, outro a menos, e outro, e outro, e outro...
  O encantamento do homem pelo prazer do viver se torna superior àquela capacidade de compreender que a eternidade nunca será presenciada por alguém. Sabemos que ela existe neste mundo de hipocrisia e perdão, mas nunca teremos a habilidade - se é que isso é algo habilidoso- de enxergar o fim deste desejo jamais terminado, até porque a eternidade é eterna e assim será para sempre.
   São esses os infinitos que amedrontam as ambiguidades da vida. Entretanto, existem divergências entre algumas infinidades. Esta é a polêmica indefinida do infinito do amor. Pois o mesmo é mais forte que o infinito dos números. O mesmo segue seu contínuo e eterno sentimento. O mesmo apenas acontece. Amamos e somos amados, às vezes infinitamente. Sem razões e pensamentos.
   Sentimentalismo é isso: um infinito desconhecido sem um pingo de razão.
   Portanto, a infinidade numérica é drasticamente diferente. Esta é repleta de motivos; são algarismos que se seguem porque possuem uma ordem, uma padronização matemática, um eixo que se desencadeia do menor ao maior, do zero ao infinito que se queira chegar- embora este nunca poderá ser encontrado.
   Por isso, não devemos confundir ambos, pois alguns infinitos são maiores que outros. Porque algumas eternidades são mais significativas que outras.
   Não há como encontrar o infinito do amor. Ele é invisível, obscuro, misterioso e digno de uma lembrança sem limites. Ele é um anonimato sem formas ou desenhos, mas mesmo assim, sabemos que é lindo.
   Sua beleza é exatamente a incapacidade de ser enxergada. Como tapar os olhos para as surpresas.
   Portanto, imploro para que nunca encontremos o fim do sentimento mais especial. Assim, poderemos amar cada vez mais e mais e mais e mais. E, acima de tudo, admirar a ausência daquele medo de nunca encontrar o limite.

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